Quando a musicista Bea Miller se encontrou pela primeira vez com a NKD em 2014, ela tinha acabado de lançar seu EP de estreia, “Young Blood” e estava no processo de criação do seu primeiro álbum. Agora, depois de lançar “Not An Apology” em 2015, ela está no caminho para lançar seu segundo álbum – uma trilogia em três capítulos que documenta as dificuldades honestas da sua vida.

Bea começou a cantar quando criança, e ela considerou pela primeira vez ter uma carreira com isso como uma forma de ajudar sua família em um momento difícil. Suas mães estavam no meio de um divórcio quando as duas perderam o emprego, deixando adolescente Bea entre mães brigadas. “Elas realmente se odiavam e era difícil ficar perto das duas juntas, mas como estavam desempregadas, elas não podiam bancar seu próprio espaço,” ela disse. “Então eu e meus irmãos fomos forçados a viver em uma casa com mães que se odiavam.” Ela encontrou uma escapatória na música. “Acordei uma manhã e fiquei tipo ‘Sinto que posso fazer algo para ajudar nessa situação e melhorar isso’. Eu não sabia exatamente o que era, naquele momento, mas eu comecei a cantar muito, e eu estava gravando vídeos musicais, no meu quarto, e comecei a aprender a tocar violão.” Bea explica. Um dia, ela estava cantando “I’ll Make You Feel My Love” da Adele em seu quarto, quando ela ouviu alguém chorando do outro lado da porta. “Abri a porta do quarto e uma das minhas mães estava sentada na escada, chorando, e ela falou ‘Eu não sabia que você podia fazer isso’, e eu realmente não sabia que podia fazer também.” Ela diz. “Achei que cantar era um sonho irreal, e foi quando eu decidi que talvez eu pudesse usar isso para ajudar minha família.”

Bea e sua família estavam prestes a perder sua casa quando ela decidiu fazer a audição do The X Factor 2012. “Soa meio egoísta, como se eu só estivesse lá por dinheiro, mas eu queria cuidar da minha família e não deixar com que perdessem a casa.” ela diz. O vencedor do show não só leva $5 milhões, mas também um contrato com gravadora. “Eu pensei ‘Legal, eu posso seguir meu sonho e fazer o que amo e ainda sim ajudar a minha família’ então pensei que isso era perfeito.” Bea explica. Apesar de não ter ganhado, ela chegou ao nono lugar e fechou contrato com a Syco Music e Hollywood Records com 15 anos.

Sendo tão nova na idade e na indústria, Bea não escreveu muitas de suas músicas do seu primeiro álbum. “Eu co-escrevi algumas das músicas, mas eu não escrevi realmente, não eram da minha perspectiva.” ela diz “Eu não necessariamente sabia escrever músicas, eu nunca tinha tentado antes. Eu tinha meio que medo dos meus sentimentos. Eu era introvertida na época.” Ela sentia que o álbum não era autentico à ela e a como ela era como pessoa. “Tinham fãs que falavam pra mim ‘Ai meu Deus, essa música significa tanto pra mim, e eu sou muito grata por você ter escrito ela’ e eu me sentia como uma mentirosa.” Bea admite. A partir disso, ela percebeu que tinha algo para dizer, algo que representasse ela e as experiências que ela tinha medo de contar no passado. Bea decidiu que no seu próximo álbum ela iria escrever todas as músicas. “Eu quero ser honesta, eu quero ser real, e eu quero ser a pessoa que está ajudando as pessoas e fazendo-as seguir em frente, então isso eventualmente me trouxe a escrever esse álbum.” ela diz “Eu me sinto muito bem, me sinto muito inspirada e realmente feliz, e sinto que quando as pessoas me dizem que minha música os ajudou, é realmente importante pra mim, porque eu quem escrevi e me pus ali, não só para mim mesma mas para ajudá-los.”

Até agora, só o Chapter One: Blue, o primeiro segmento de seu álbum, já saiu. Os outros dois vão ser divulgados ao longo do ano, os dois em grupos de acordo com cores: Chapter Two: Red e Chapter Three: Yellow . Quando Bea estava pensando em criar o novo álbum, ela refletiu muito no jeito que as pessoas ouvem as músicas hoje em dia. “Eu escuto os álbuns completos porque eu faço música, e eu me importo com a música, e eu quero saber a história completa, mas muitas das pessoas não escutam álbuns inteiros. E como uma fã, eu só recebo 12 músicas por ano de um artista, e todas de uma vez, e não há mais nenhuma conexão depois disso, e pessoalmente, eu acho isso frustrante.” ela explica. Ela queria disponibilizar um álbum digno de músicas, mas de uma forma que iria dar a chance de cada música ter seu próprio momento na experiência dos ouvintes. Depois de alguém da gravadora apresentar a idéia de disponibilizar o álbum em segmentos, onde cada parte funciona como um EP, ela decidiu dar mais um passo. “Eu vejo músicas em cores, e eu estava, tipo, ‘Ok, legal, como posso agrupar todas as minhas músicas pelas cores que vejo quando as escuto?’ As músicas que eu comecei a ver em cores tinham muito em comum.” ela diz.

O álbum foi inspirado em uma situação onde Bea percebeu que um relacionamento com alguém muito importante pra ela não estava funcionando. Os grupos de cores, cada um relacionado a uma emoção, seguem o curso dessa experiência. “O Chapter One tem algumas das músicas que escrevi quando estava na tristeza inicial, e meio que arrependida por alguém que você realmente se importa não funcionar mais pra você. ” ela diz. “O Chapter Two é vermelho, o que traz as músicas de quando eu estava no meio de tudo isso, quando eu estava tipo ‘Ok, essa é a realidade, e eu estou meio que brava, e gostaria que isso não estivesse acontecendo, mas também estou emponderada e inspirada a seguir a vida e ser uma pessoa melhor, e evoluir comigo mesma’.” As músicas do Chapter Three ainda não foram agrupadas, porque Bea quer que elas estejam mais atualizadas com a sua vida, mas elas vão representar a superação e o fim da história. “É onde eu estou tipo, eu segui em frente, eu saí dessa situação e estou melhor agora, não é a luz no fim do túnel, mas é onde eu supero esse problema e estou preparada para o próximo.” Bea disse. O capítulo final vai ser o lançamento do álbum completo. “Podemos chama-lo de ‘Spectrum’ ou algo mais ou menos nesse sentido.” Bea disse. “Você pega todas essas três cores e as coloca juntas e pode formar qualquer outra cor no universo inteiro de cores. Você pode experienciar tristeza e solidão e raiva e felicidade em razão de ser a melhor versão de si mesmo. Tudo se juntando no final é realmente especial e eu estou muito animada pra mostrar algo tão detalhado para todos.”

Seu objetivo, através desse álbum e do seu trabalho como artista e como pessoa no geral , é só estar conectada com o máximo de pessoas possível. No espaço entre seu primeiro e segundo álbum, em seu crescimento pessoalmente e musicalmente, ela veio a descobrir que a honestidade é essencial. “Eu me tornei mais confortável comigo mesma, com meus sentimentos e meus pensamentos, e fiquei ainda mais obcecada com a ideia de que quando você compartilha algo que não é essencialmente incrível na sua vida, isso é meio que embaraçador de divulgar, isso na verdade ajuda outras pessoas.” ela explica. “Muitas outras pessoas estão passando pelas mesmas coisas e eles não querem falar sobre isso. Se uma pessoa fala sobre isso, ela ajuda todo mundo.”
Bea está planejando montar uma tour para o final do ano, acompanhando o desenvolvimento da segunda metade de seu álbum. “Eu quero viajar, quero interagir com as pessoas, quero saber o que elas acham da minha música e como ela os faz sentir, e como ela os afetou, seja positivamente ou negativamente.” ela diz. “Eu quero me conectar com as pessoas cara a cara.” Enquanto crescia, ela nunca sentiu que havia uma artista feminina que era inteiramente honesta, que podia se conectar inteiramente com seu público e suas experiências. Conforme foi desenvolvendo músicas e ouvindo seus fãs, ela decidiu se tornar a artista que procurava quando era criança. “Eu só queria alguém pra dizer ‘A vida é incrível, mas as vezes é realmente uma merda, e essa é a verdade.'” ela diz. “Mas eu nunca tive isso, e é por isso que meu relacionamento com os meus fãs é muito forte, e qualquer vez que eles me dizem que minhas músicas significam muito pra eles é muito especial.”

Fonte: NKD Mag
Tradução e Adaptação: Equipe BMBR

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